MILTON NEVES


1)   Milton Neves Filho (Muzambinho6 de agosto de 1951) é um radialista e jornalista brasileiro, especializado em esportes.
2)   Iniciou a carreira em 1968, aos dezessete anos, como locutor na Rádio Continental em sua cidade natal. 
3)    Radialista esportivo, trabalhou na Rádio Colombo em Curitiba.
4)   Trabalhou na Rádio Jovem Pan de São Paulo (onde marcou época a frente do programa Terceiro Tempo e do Plantão de Domingo).
5)   Trabalhou também, na Rádio Oscar Monchito de Goiânia.
6)   Atualmente está na Rádio Bandeirantes AM e na BandNews FM.
7)   No dia 14 de fevereiro de 2014, Milton Neves citou ao vivo na BandNews FM, ser escrivão aposentado por Minas Gerais. 
8)   Segundo o blog Flipparalisante, Milton Neves era repórter do Detran,em seguida tornou-se escrivão e nunca lavrou qualquer termo policial.

9)   Desde os anos 90 dedica-se também à apresentação de debates televisivos sobre futebol, obtendo grandes audiências.
10)                     Iniciou na Rede Manchete, apresentando o Canal 100, programa clássico onde mostrava o futebol sob uma ótica cinematográfica.
11)                     Depois, na Rede Bandeirantes, seguiu comandando os programas esportivos "Gol O Grande Momento", "Esporte Total Debate" e "Super Técnico". 
12)                     Em dezembro de 2001, seguiu para a Rede Record apresentando os programas "Terceiro Tempo" e "Debate Bola".
13)                     Na Rede Mulher de Televisão e afiliadas apresentando o programa "Golaço".

14)                     Atualmente, após seu retorno à Rede Bandeirantes, apresenta o "Terceiro Tempo" aos domingos.
15)                     O "Terceiro Tempo" ,  O programa televisivo tem o mesmo nome de seu antigo programa na Rádio Jovem Pan AM e do atual na Rádio Bandeirantes, além de sua agência de publicidade e um site de Internet, pois detém o registro do nome. 
16)                     Durante a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, estreou um novo programa, também na área esportiva, com o nome de "Band Mania".

17)                     Em 31 de maio de 2005, Milton deixou a Jovem Pan após 33 anos e assinou contrato com a Rádio Bandeirantes
18)                     No dia 12 de julho do mesmo ano, ingressou na Justiça do Trabalho contra a Jovem Pan alegando horas extras e comissões não pagas. 
19)                     Segundo decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, ela foi obrigada a pagar 2 milhões de reais.

20)                     Milton Neves não foi um grande esportista, mas aos dezesseis anos, jogou no time municipal de Muzambinho. Mas, no ano seguinte, percebeu sua verdadeira vocação, iniciando na sua carreira como radialista e comentarista de esportes.
21)                     No capítulo 115 da novela Renascer, José Inocêncio (Antônio Fagundes) durante a conversa com Padre Lívio (Jackson Costa), manda Tião Galinha(Osmar Prado) arranjar emprego em Muzambinho na Fazenda de Milton Neves.
22)                     Milton Neves faz uso em seus comentários e trabalhos diversos, de sua grande memória e amplos conhecimentos históricos sobre o futebol brasileiro.

23)                     Como apresentador de TV e rádio, mantém um estilo provocativo e humor agressivo, sendo constantemente alvo de duras críticas por impor sua visão pessoal e comercial acima da imparcialidade de um profissional.
24)                     Já teve vários entreveros com futebolistas e jornalistas (Roberto Avallone, Jorge KajuruJosé Trajano Juca Kfouri) e com companheiros de trabalho como Roberto Justus, sendo que muitos dos quais foram parar nos tribunais brasileiros.

25)                     Um de seus atritos mais polêmicos contra um colega de profissão, foi uma suposta agressão física contra o locutor Silvio Luiz, que acusou Milton Neves de tê-lo chutado após o programa de Raul Gil.[12] O motivo, segundo o locutor, foi porque no quadro "Para quem você tira o chapéu", Silvio Luiz afirmara que não "tiraria o chapéu" para Milton Neves.
26)                     O técnico e ex-jogador Emerson Leão proferiu ofensas e ameaçou Milton Neves durante um programa de rádio, e ainda desafiou Milton Neves a fazer o mesmo que ele fez com Silvio Luiz.

27)                     Milton Neves Filho conviveu pouco com o pai, de quem herdou o nome. O suficiente, porém, para lembrar das tardes em que ele ficava na varanda de seu sítio "Invernada", em Monte Belo, que lá chamavam de alpendre, colado no radinho de pilha Mitsubishi. Além do rádio que mantém até hoje de recordação, Milton Neves guarda na memória os elogios que o pai fazia ao volante Écio, do Vasco da Gama.
28)                     Natural de Areado e criado em Varginha, "seo" Milton viveu também em Monte Belo e casou em Muzambinho, com dona Carmen. 
29)                     Autêntico mineiro, sofreu entretanto, a influência das transmissões esportivas cariocas, que chegavam com força em Varginha.

30)                     Assim, Milton Neves cresceu ouvindo do pai as histórias fantásticas do paulista Écio, nascido em Vinhedo, e seus companheiros do supertime do Vasco da Gama, como Paulinho, Bellini, Pinga e Coronel.
31)                     Com a morte do pai, em 1960, Milton, dona Carmen e seu irmão mais velho, Homero, foram viver na casa da professora Antonia Carlos Fernandes, irmã de dona Carmen.

32)                     Ela assumiu os sobrinhos como filhos e passou a comandar as despesas da família.
33)                     Com 10 anos de idade, em 61, o garoto Milton Neves tentava sem sucesso jogar futebol. E apesar de achar que é a pessoa pior dotada para praticar esse esporte, iniciou de criança uma paixão incontrolável pela bola.

34)                     Sem dinheiro para freqüentar o minúsculo estádio Professor Antônio Milhão, de Muzambinho, assistia aos jogos sentado no muro da casa da costureira Marta Borges, amiga da família.
35)                     Com olhar de pidão, invariavelmente convencia o porteiro "seo" Bruno a deixá-lo entrar para assistir o segundo tempo ao vivo.
36)                     Misturado aos 1.500 torcedores, lotação máxima do estádio, o garoto Milton fez de Muzambinho seu primeiro mundo futebolístico. Até hoje guarda na lembrança os nomes dos craques da cidade que se digladiavam nos jogos entre o Bandeirante, a Escola Agrícola e o Comércio. Eram Pedrinho, Candóca, Camila, Fominha, Cavadeira, Corote, Ivan Surdão, Cuiabano, Tente e Tôti entre outros.
37)                     Em Guaxupé, filho de abastada família, dona da Viação Nasser, Pachá era tão rico quanto bom de bola e bonachão. Para João Avelino, mineiro de Diamantina e técnico famoso nos anos 60 e 70, Pachá foi o melhor centroavante que ele já viu jogar. "Até melhor que Vavá, Coutinho, Pagão, Toninho Guerreiro e Romário".

38)                     Pachá deixou passar muitas chances de jogar em grandes times. Deixou passar também o bonde da vida. Amparado em boas lembranças procurou Milton Neves nos estúdios da Jovem Pan. Morando em São Paulo, trabalha com camisas. A família perdeu a empresa de ônibus e ele teve que recuperar no comércio o sustento que poderia ter garantido com o futebol.

39)                     Disputando o campeonato sul-mineiro com a Caldense de Poços de Caldas, Esportiva de Guaxupé e Cruz Preta de Alfenas, o Bandeirante de Muzambinho tinha ainda outros craques, como Fernando Montanari.

40)                     Milton Neves recorda bem desse nome porque sempre achou que craque deveria ter nome pomposo. Por isso, prefere Fernando Montanari a "Fominha", o apelido do jogador.
41)                     Pioneira na criação do plantão esportivo, e do Terceiro Tempo tão copiado, a Pan também foi a primeira a implantar o Plantão na Copa. Até então, nenhuma emissora de rádio havia deslocado um profissional de estúdio para cobrir a competição.

42)                     Milton Neves e suas histórias inovaram na Itália, em 90, comandando os programas esportivos da Jovem Pan direto de Roma, a sede do mundial. Em 94 a emissora repetiu o esquema de Dallas, no Texas. Na Itália, colocando no ar o incrível gol de Rincón (Alemanha 1 x 1 Colômbia) narrado pelo locutor Edgar Perea da Rádio Caracol de Bogotá, Milton Neves conseguiu pela Jovem Pan "o mais importante e emocionante momento do rádio da Copa da Itália" segundo a Folha de São Paulo em texto assinado por Marcos Cézari.
43)                     Em 21 de outubro de 71, Milton Neves estava de volta a Muzambinho, enfrentando a desconfiança da família, dos amigos, da cidade.

Antes de chegar, passou seis horas na rodoviária de São Paulo, na praça Júlio Prestes, esperando o Expresso Caconde. Se Curitiba já não tinha lhe agradado, São Paulo então, nem pensar. Sozinho, aguardando a hora do embarque, determinou: " terra de louco, nunca vou morar aqui".
44)                     A vida em Muzambinho, porém, ficava cada vez mais difícil para um rapaz de 20 anos, visto como fracassado em Curitiba, onde tinha sido reprovado no vestibular de Odontologia.
45)                     Sem emprego, Milton Neves fazia bicos como locutor em tudo o que era evento: de feira a rodeios, de quermesse a formatura. Cursou o técnico em Contabilidade para agradar a tia e sem saber motivou-a a pagar sua primeira viagem.
46)                     O irmão Homero fazia cursinho em Curitiba e para lá foi mandado Milton Neves, em 71, aos 19 anos de idade. Partiu dia 21/02/71.
47)                     O período de férias até que deu para agüentar. Em março, entretanto, a rapaziada de Muzambinho voltava para a escola e faculdade respectivamente. Na cidade, só ficavam os "sem rumo". Por influência familiar, a então namorada Lenice o deixou "pela falta de perspectivas no futuro".
48)                     Duro, sem emprego, com um diploma de técnico em Contabilidade que não queria utilizar, Milton foi enfrentando a desconfiança e lendo o Estadão no bar do amigo Euclides Carli, um juiz de futebol tão "ladrão" para o time da casa que até seleção brasileira perdia em Muzambinho.

49)                     Ele confessa que foi chorando. Com quase 20 anos nunca tinha ido além de 150 quilômetros de Muzambinho. De carona do DKW de Jorge Pimenta, gerente do Banco de Crédito Real, lá foi ele para sua grande aventura.
50)                     Se a passagem por São Paulo já foi um susto, a BR 116 então nunca mais saiu de sua memória. Caminhões daquele tamanho Milton só havia visto em filme americano.
51)                     Em Curitiba, instalado clandestinamente na Casa do Estudante Universitário-CEU, ele conheceu o frio. Matriculado no curso Bardal, preparatório para universidade, Milton Neves foi à luta procurando um lugar em qualquer emissora de rádio da capital do Paraná.
52)                     Bateu em muitas portas. Na Universo, Pirajá Ferreira prometeu e não deu emprego. Na Cultura, Dirceu Graeser alegou que não tinha vaga mas que o garoto tinha futuro. Acertou. Foi na rádio Colombo seu primeiro emprego de radialista. O primeiro registro na carteira de trabalho.

53)                     Um dia, em maio de 1972, viu em outro lugar uma Folha de S.Paulo, onde um anúncio com fundo preto lhe chamou a atenção: " Vestibular de Jornalismo na Supero - Sociedade Universitária Paulista de Ensino Renovado Faculdades Objetivo.
54)                     Cheio de coragem e morrendo de vergonha pelos insucessos nos concursos da Petrobrás de Paulínia e Banco do Brasil de Guaxupé, Milton Neves decidiu encarar a loucura de São Paulo. Afinal, para trabalhar em rádio nada melhor do que fazer o curso de Jornalismo. A tia Antônia mais uma vez arranjou o dinheiro para a nova empreitada.
55)                     "No Paraná fui reprovado no vestibular de Odontologia. Também não passei no concurso do Banco do Brasil e da Petrobrás. Era um fracasso. Graças a Deus fracassei." Diz Milton Neves.

56)                     O amigo Roberto Gaspar conseguiu para ele uma vaga na Kitnet que morava na esquina das avenidas Duque de Caxias e São João. Com Milton eram oito que se apertavam em quatro beliches instaladas na saleta.
57)                     Apesar de tudo, São Paulo não era tão ruim quanto ele pensava. Podia ler os jornais mais cedo para acompanhar a disputa do título mundial de xadrez entre o norte-americano Bob Fischer e o russo Bóris Spassky, que na época concentrou as atenções internacionais. Tinha ambulante na rua vendendo maçãs vermelhas, tinha Gazeta Esportiva em todas as bancas. 

58)                     Milton Neves enfim passou no vestibular. Ficou com uma das 200 vagas da primeira turma daquela faculdade. Ali conheceu os jornalistas que fariam carreira como ele: Paulo Saab, Ricardo Carvalho e Alberto Luchetti.
Enturmado em São Paulo, mudou para a república " Muzamba", na esquina das alamedas Jaú e Pamplona, nos Jardins, habitada por dez rapazes da cidade Natal . Fez muitas amizades e quando viajava a Muzambinho, uma vez por mês, para levar a roupa suja, já falava sobre São Paulo com alegria nos olhos.
59)                     Estava dando tudo certo demais para quem já se acostumara às adversidades. De repente, uma constatação: não havia mais dinheiro para bancar a faculdade e a estada em São Paulo. Sem emprego, Milton encontrou a ajuda que precisava com o companheiro Ricardo Carvalho, irmão do ex-deputado Agnaldo de Carvalho, líder do Governo Laudo Natel e hoje dono da Produtora Segmento, especializada em candidatos políticos. Ricardo juntou uma turma de dez estudantes para pedir a João Carlos Di Gênio (dono da faculdade) uma bolsa para o colega de Muzambinho pois ele tinha futuro mas não tinha dinheiro.

60)                     Apesar da fase ruim da rádio, o trabalho de Milton Neves começou a ser reconhecido no Paraná. Bira, lateral-direito do Ferroviário, foi o primeiro jogador a elogiar. Num programa esportivo disse que ele era o melhor cronista de futebol do Estado.
61)                     Mas Curitiba, definitivamente não havia atraído Milton Neves. Hoje, relembra que nunca mais voltou à capital do Paraná a não ser numa escala de vôo que o levou à lua-de-mel, dia 08/07/78, em Foz do Iguaçú, Hotel Salvatti.
62)                     Se tem uma coisa da qual Milton Neves mais se orgulha, é do grande número de amizades que conseguiu fazer nestes 33 anos de carreira jornalística. 

63)                     Durante 15 dias os plantões na porta da sala do diretor não deram resultado. Fazendo marcação cerrada, o grupo um dia viu o carro dele, um Mercedes Benz, placa DI 8000, estacionar. Era a hora. Plantaram-se na porta do elevador e tudo o que conseguiram de um Di Gênio mal humorado e já recusando bolsa de estudos, foi a indicação de que a rádio Jovem Pan estava procurando estudantes de jornalismo para estágio remunerado.
64)                     Além de jogadores, técnicos, preparadores físicos e locutores esportivos, ele também tem outras amizades fora do futebol. Uma delas faz sucesso na televisão. Trata-se do escritor Benedito Ruy Barbosa, que entre outras obras possui em seu currículo telenovelas de grande audiência como "Pantanal" e "Renascer".

65)                     Para quem sonhava em trabalhar na Bandeirantes ou no mínimo na rádio Tupi, Jovem Pan era um nome completamente desconhecido. Até conseguir descobrir onde ficava a tal emissora, no bairro do Aeroporto, Milton Neves levou três horas.
66)                     Com a cara e coragem foi procurar Fernando Vieira de Melo. Na redação da rádio foi recebido por Salvador Silva, que sem tirar os olhos da máquina disse que o homem que ele estava procurando era "aquele louco" que gritava. Recomendou ao rapaz esperar a vez, já que dentro da sala, Fernando Vieira de Melo quebrava o maior pau com o repórter Reali Jr. (hoje correspondente da Pan em Paris).

67)                     "Depois de muito tempo o Fernando Vieira me atendeu. Pediu um teste, ouviu a minha voz, me chamou de burro e mandou me contratar."
68)                     Assustado com a briga, Milton sentou-se e com espanto viu entrar na redação seu companheiro de faculdade, Ubirajara Valdez, que havia chegado antes e ganhara uma das vagas do estágio.
69)                     Acalmada a discussão com Realli, Vieira de Melo ficou sozinho na sala. Impaciente, Milton tentou entrar. Voltou imediatamente ao tomar a maior bronca do diretor, que o repreendeu por ousar se apresentar sem ter sido chamado.

70)                     O explosivo Fernando Vieira de Melo, porém, também sabia ser educado quando queria. E após autorizar a entrada de Milton na sala, gostou da sua voz, da coragem e pediu um teste, feito por Marco Antônio Gomes. Milton foi bem na leitura, apesar de chamar o bairro do Pari de Pári. Fernando o chamou de burro três vezes e mandou Gomes contratá-lo. Melo, foi muito importante para a carreira de Milton Neves. 
71)                     Ele sempre disse: "esse menino é um gênio". De João Carlos Di Gênio também guarda gratidão: Milton Neves teve bolsa total até a formatura! Também tem outro agradecimento a Di Gênio: seus 3 filhos sempre estudaram no Objetivo desde que nasceram.

72)                     O doutor Sócrates, astro do Corinthians e da seleção, já não agüentava mais conceder sempre as mesmas entrevistas. Aliás, quase que não aguentava mais o próprio futebol. Sua cultura contrastava com os lugares comum utilizandos pela maioria dos jogadores de futebol. Médico, estudioso, de boa formação, Sócrates chegava a fugir das entrevistas. 
73)                     Milton Neves pegou o jogador Sócraes na concentração do Corinthians antes da decisão do campeonato paulista de 82 contra o São Paulo, vencida pelo timão, e perguntou: "Doutor Sócrates, hoje tem decisão no Morumbi e no vestibular. Qual a mais importante? Aturdido com a pergunta que não esperava, Sócrates, que havia pedido a Milton para ser breve, concedeu a sua mais longa entrevista no rádio esportivo brasileiro. Falou por uma hora e 13 minutos garantindo que a escola era mil vezes mais importante do que o futebol. Sócrates contou sua vida, as etapas de sua formação escolar elogiou o nível das perguntas e depois matou o S. Paulo de W. Péres.

74)                     Já em julho de 1972, no Detran, Milton Neves conheceu muita gente famosa. Jogadores de futebol como Toninho Guerreiro, César Maluco e Leivinha freqüentavam a sala de Imprensa para pedir orientação aos amigos jornalistas, sobre lacração de seus carrões. Roberto Carlos, conduzido por Franz Neto, "o abelhudo Cofap Bandeirantes" fazia seus exames médicos na sala dos diretores Nerval Ferreira Braga Filho e Walter Suppo de Morais Machado para renovação da C.N.H., então de 4 em 4 anos.

Além deles, cronistas esportivos também apareciam por lá. E Milton foi fazendo amizade com Orlando Duarte, Osmar Santos, J. Háwilla. Tremia cada vez que ficava a frente com um figurão. Pôde, enfim, conhecer pessoalmente seu ídolo, Fiori Gigliotti.
75)                     Numa dessas visitas, ao comprar um Corcel vinho, Osmar Santos, chefe de esportes da Pan, reconheceu a voz do repórter de trânsito e o convidou para fazer o Plantão Esportivo, atividade pioneira no rádio, criada por Narciso Vernizzi.

76)                     Até então o Plantão funcionava em rodízio. Aos sábados revezavam-se Milton Parron, Aluani Neto e Fausto Silva. Faustão foi o primeiro a dar o grito de independência: não faria mais plantão "porque não cabia na cadeira"
77)                      Milton estreou. Tremendo, assumiu o microfone e passou algumas horas no comando. "Você é bom", disse Fernando Vieira de Melo.
78)                      João Zanforlin, então Plantão da Rádio Bandeirantes, elogiou o trabalho. Milton foi aperfeiçoando. Não utilizava mais texto, falava de improviso, contava histórias, fazia entrevistas.
79)                     Em 74 já era o titular absoluto do Plantão Esportivo da Pan, com a aposentadoria de Narciso Vernizzi. Mas ainda cuidava do noticiário do trânsito de manhã. Sofria com os plantões noturnos após o futebol, principalmente quando o São Paulo ganhava, e Estevan Sangirardi esticava o Show de Rádio até as duas da madrugada.
80)                     "Quando o São Paulo ganhava, o Show de Rádio não acabava mais. Eu tinha raiva do São Paulo. Torcia para ele perder e ferrar o Sangirard."

81)                     A “Deixa” de Estevam Bourroul Sangirardi era passa a pelota para Plantão Esportivo Permanente, porque Milton Neves tem a notícia que o senhor deseja ouvir. Deixa cair MUZAMBA".
82)                     José Nêumane, consagrado jornalista do jornal "O Estado de S.Paulo", foi um dos primeiros a perceber que a autoridade de Milton Neves e seu sotaque caipira iriam agradar aos ouvintes. Hoje, muito locutor deixou de "representar" e assumiu suas origens do Interior.
83)                     Até 78 o Plantão sofria discriminação nas emissoras de rádio. Para se ter uma idéia, no Jornal de Esportes, programa criado em 75, Milton Neves só foi autorizado a entrar quando faltava alguém, e assim mesmo apenas para ler o placar. Era proibido de fazer perguntas.
84)                     Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, diretor da rádio, e pai profissional de Milton Neves, gostou muito do estilo de Milton. Induziu Fernando Vieira de Melo a pedir opiniões dos colegas. A de Narciso James foi definitiva: "José Nello Marques é muito bom, mas Milton Neves é melhor".

85)                     Por tudo isso é que em 82, quando a Pan sofreu um "abalo sísmico" com a saída inesperada do Show de Rádio, que no meio da Copa da Espanha transferiu-se para a Bandeirantes, Milton Neves era a solução natural para todo mundo na rádio, menos para ele mesmo.
86)                     0 3° Tempo foi entrando na intimidade dos jogadores e dos ouvintes. Num jogo do Corinthians, o escuta da Pan Luiz Carlos Abib conseguiu, em Campinas, por telefone, o choro do bebê Adnã, primeiro filho do jogador Zenon. No ar, Milton Neves deu a notícia do nascimento e pôs a voz do bebê. Debaixo do chuveiro, Zenon misturou com a água uma cachoeira de lágrimas.
87)                     José Italiano, o "Garganta de Aço", já falecido, profetizou que o 3° Tempo seria o maior sucesso do rádio esportivo brasileiro e Milton Neves a primeira grande estrela como âncora esportivo. Mauro Pinheiro, também dizia o mesmo.
88)                     "Pra mim, o estádio do Comercial era um monstro. A impressão era que tinha um milhão de pessoas dentro e outro milhão do lado de fora."

89)                     Milton Neves: “Não é muito fácil conseguir um espaço na agenda do empresário Edson Arantes do Nascimento para gravar um comercial se o cachê não estiver à altura do prestígio de Pelé”
90)                     Quando uma vez gravava um comercial com o Pelé: No meio da multidão um garoto com uniforme da Telesp, gritou: "Ô Milton Neves: quem é esse negão aí do seu lado ?". Portanto perdi do Pelé só por 9.999 a 1.
91)                     Milton Nevez certa vez recordando a sua infância : "O banheiro da casa da minha tia era o estúdio. Ali narrava jogos e gritava gols, imitando o meu ídolo Fiori Gigliotti."
92)                     Milton Nevez  recorda: "Graças a Deus, recebo cartas demais e respondo todas. Pago selo, envelope e funcionário. Já mandei mais de 400 mil cartas-resposta (40% com adesivos) em 25 anos de carreira na Pan."
93)                     Casado com Lenice Neves (desde 1978).

94)                     Filhos: Fábio NevesTiago NevesCristiana NevesCarlos NevesMilton Neves NetoLucas NevesPaula Neves.


95)                     Muzambinho originou-se das palavras africanas "Mocambo" ou "Moçambo" e do seu diminutivo "Mocambinho", que serviam para designar um tipo de habitação onde se ocultavam os negros escravos foragidos. Que tiveram grande influência na formação do povoado.
96)                     Em 2015 Milton Neves, aparece no filme “Paysandú -100 anos de payxão”

97)                     Vinhos famosos e caros para celebrar conquistas financeiras. Imagens nas redes sociais de seus imóveis e menção a famosos. Milton Neves é do tipo que admite: é bom ser celebridade.

98)                     Uma briga na TV o incomoda. "Sabe do que eu me arrependo? Roberto Francisco Avallone. Ele estava doente e admitiu isso depois, falou que estava sem lítio no sangue ou coisa parecida. Por futricas de um companheiro dele, que se incomodava porque eu ganhava muito dinheiro com publicidade, passou a falar mal de mim. Ele é um tremendo bom caráter. O processei e lamento muito isso e por ter conhecido uma maldição que é ir até um fórum."

99)                     "Perto dele eu sou segunda divisão. O maior narrador da história da televisão brasileira foi Luciano do Valle. Já o mais eclético, mais técnico e o mais importante, porque está na Globo há muito tempo, é o Galvão Bueno. Nota dez pra ele."

100)               Sobre Renata Fan - "Cuidei dela feito um nenenzinho. Profissionalmente, eu fiz por ela mais do que pelos meus filhos. Que ela seja muito feliz. Ajudei muito essa moça. Se ela é grata ou não, é só perguntar pra ela. Mas aprendeu bem."
























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