MILTON
NEVES
1)
Milton Neves Filho (Muzambinho, 6 de agosto de 1951) é um radialista e jornalista brasileiro, especializado
em esportes.
2)
Iniciou a carreira em 1968, aos dezessete anos, como locutor na Rádio
Continental em sua cidade natal.
4)
Trabalhou na Rádio Jovem Pan de São Paulo
(onde marcou época a frente do programa Terceiro Tempo e do Plantão de Domingo).
7)
No dia 14 de fevereiro de 2014, Milton Neves citou ao vivo na
BandNews FM, ser escrivão aposentado por Minas Gerais.
8)
Segundo o blog Flipparalisante, Milton Neves era repórter do
Detran,em seguida tornou-se escrivão e nunca lavrou qualquer termo policial.
9)
Desde os anos 90 dedica-se também à
apresentação de debates televisivos sobre futebol, obtendo grandes
audiências.
10)
Iniciou na Rede Manchete, apresentando
o Canal 100,
programa clássico onde mostrava o futebol sob uma ótica cinematográfica.
11)
Depois, na Rede Bandeirantes, seguiu
comandando os programas esportivos "Gol O Grande Momento", "Esporte Total Debate" e "Super Técnico".
12)
Em dezembro de 2001, seguiu para a Rede Record apresentando
os programas "Terceiro Tempo" e "Debate Bola".
15)
O "Terceiro
Tempo" , O programa televisivo tem o mesmo nome de seu
antigo programa na Rádio Jovem Pan AM e do atual
na Rádio Bandeirantes, além de sua agência de publicidade e um site
de Internet, pois detém o registro
do nome.
16)
Durante a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, estreou um novo
programa, também na área esportiva, com o nome de "Band Mania".
17)
Em 31 de maio de 2005, Milton deixou a Jovem Pan após 33 anos e
assinou contrato com a Rádio Bandeirantes.
18)
No dia 12 de julho do mesmo ano,
ingressou na Justiça do Trabalho contra a Jovem Pan alegando horas
extras e comissões não pagas.
19)
Segundo decisão do Tribunal Regional do
Trabalho da 2ª Região, ela foi
obrigada a pagar 2 milhões de reais.
20)
Milton Neves não foi um grande esportista, mas aos dezesseis
anos, jogou no time municipal de Muzambinho. Mas, no ano
seguinte, percebeu sua verdadeira vocação, iniciando na sua carreira como
radialista e comentarista de esportes.
21)
No capítulo 115 da novela Renascer, José Inocêncio (Antônio Fagundes) durante a conversa com Padre Lívio (Jackson Costa), manda Tião
Galinha(Osmar Prado)
arranjar emprego em Muzambinho na Fazenda de Milton Neves.
22)
Milton Neves faz uso em seus comentários e trabalhos
diversos, de sua grande memória e amplos conhecimentos históricos sobre o
futebol brasileiro.
23)
Como apresentador de TV e rádio, mantém um estilo provocativo
e humor agressivo, sendo constantemente alvo de duras críticas por impor sua
visão pessoal e comercial acima da imparcialidade de um profissional.
24)
Já teve vários entreveros com futebolistas e jornalistas (Roberto Avallone, Jorge Kajuru, José Trajano e Juca Kfouri) e com companheiros
de trabalho como Roberto Justus, sendo que
muitos dos quais foram parar nos tribunais brasileiros.
25)
Um de seus atritos mais polêmicos contra um colega de
profissão, foi uma suposta agressão física contra o locutor Silvio Luiz, que acusou Milton
Neves de tê-lo chutado após o programa de Raul Gil.[12] O motivo,
segundo o locutor, foi porque no quadro "Para quem você tira o
chapéu", Silvio Luiz afirmara que não "tiraria o chapéu" para
Milton Neves.
26)
O técnico e ex-jogador Emerson Leão proferiu
ofensas e ameaçou Milton Neves durante um programa de rádio, e ainda desafiou
Milton Neves a fazer o mesmo que ele fez com Silvio Luiz.
27)
Milton Neves Filho conviveu pouco com o pai, de quem herdou o
nome. O suficiente, porém, para lembrar das tardes em que ele ficava na varanda
de seu sítio "Invernada", em Monte Belo, que lá chamavam de alpendre,
colado no radinho de pilha Mitsubishi. Além do rádio que mantém até hoje de
recordação, Milton Neves guarda na memória os elogios que o pai fazia ao
volante Écio, do Vasco da Gama.
28)
Natural de Areado e criado em Varginha, "seo"
Milton viveu também em Monte Belo e casou em Muzambinho, com dona Carmen.
29)
Autêntico mineiro, sofreu entretanto, a influência das
transmissões esportivas cariocas, que chegavam com força em Varginha.
30)
Assim, Milton Neves cresceu ouvindo do pai as histórias
fantásticas do paulista Écio, nascido em Vinhedo, e seus companheiros do
supertime do Vasco da Gama, como Paulinho, Bellini, Pinga e Coronel.
31)
Com a morte do pai, em 1960, Milton, dona Carmen e seu irmão
mais velho, Homero, foram viver na casa da professora Antonia Carlos Fernandes,
irmã de dona Carmen.
32)
Ela assumiu os sobrinhos como filhos e passou a comandar as
despesas da família.
33)
Com 10 anos de idade, em 61, o garoto Milton Neves tentava
sem sucesso jogar futebol. E apesar de achar que é a pessoa pior dotada para
praticar esse esporte, iniciou de criança uma paixão incontrolável pela bola.
34)
Sem dinheiro para freqüentar o minúsculo estádio Professor
Antônio Milhão, de Muzambinho, assistia aos jogos sentado no muro da casa da
costureira Marta Borges, amiga da família.
35)
Com olhar de pidão, invariavelmente convencia o porteiro
"seo" Bruno a deixá-lo entrar para assistir o segundo tempo ao vivo.
36)
Misturado aos 1.500 torcedores, lotação máxima do estádio, o
garoto Milton fez de Muzambinho seu primeiro mundo futebolístico. Até hoje
guarda na lembrança os nomes dos craques da cidade que se digladiavam nos jogos
entre o Bandeirante, a Escola Agrícola e o Comércio. Eram Pedrinho, Candóca,
Camila, Fominha, Cavadeira, Corote, Ivan Surdão, Cuiabano, Tente e Tôti entre
outros.
37)
Em Guaxupé, filho de abastada família, dona da Viação Nasser,
Pachá era tão rico quanto bom de bola e bonachão. Para João Avelino, mineiro de
Diamantina e técnico famoso nos anos 60 e 70, Pachá foi o melhor centroavante
que ele já viu jogar. "Até melhor que Vavá, Coutinho, Pagão, Toninho
Guerreiro e Romário".
38)
Pachá deixou passar muitas chances de jogar em grandes times.
Deixou passar também o bonde da vida. Amparado em boas lembranças procurou
Milton Neves nos estúdios da Jovem Pan. Morando em São Paulo, trabalha com
camisas. A família perdeu a empresa de ônibus e ele teve que recuperar no
comércio o sustento que poderia ter garantido com o futebol.
39)
Disputando o campeonato sul-mineiro com a Caldense de Poços
de Caldas, Esportiva de Guaxupé e Cruz Preta de Alfenas, o Bandeirante de
Muzambinho tinha ainda outros craques, como Fernando Montanari.
40)
Milton Neves recorda bem desse nome porque sempre achou que
craque deveria ter nome pomposo. Por isso, prefere Fernando Montanari a
"Fominha", o apelido do jogador.
41)
Pioneira na criação do plantão esportivo, e do Terceiro Tempo
tão copiado, a Pan também foi a primeira a implantar o Plantão na Copa. Até
então, nenhuma emissora de rádio havia deslocado um profissional de estúdio
para cobrir a competição.
42)
Milton Neves e suas histórias inovaram na Itália, em 90,
comandando os programas esportivos da Jovem Pan direto de Roma, a sede do
mundial. Em 94 a emissora repetiu o esquema de Dallas, no Texas. Na Itália,
colocando no ar o incrível gol de Rincón (Alemanha 1 x 1 Colômbia) narrado pelo
locutor Edgar Perea da Rádio Caracol de Bogotá, Milton Neves conseguiu pela
Jovem Pan "o mais importante
e emocionante momento do rádio da Copa da Itália" segundo a
Folha de São Paulo em texto assinado por Marcos Cézari.
43)
Em 21 de outubro de 71, Milton Neves estava de volta a
Muzambinho, enfrentando a desconfiança da família, dos amigos, da cidade.
Antes de chegar, passou seis horas na rodoviária de São Paulo, na praça Júlio Prestes, esperando o Expresso Caconde. Se Curitiba já não tinha lhe agradado, São Paulo então, nem pensar. Sozinho, aguardando a hora do embarque, determinou: " terra de louco, nunca vou morar aqui".
44)
A vida em Muzambinho, porém, ficava cada vez mais difícil
para um rapaz de 20 anos, visto como fracassado em Curitiba, onde tinha sido
reprovado no vestibular de Odontologia.
45)
Sem emprego, Milton Neves fazia bicos como locutor em tudo o
que era evento: de feira a rodeios, de quermesse a formatura. Cursou o técnico
em Contabilidade para agradar a tia e sem saber motivou-a a pagar sua primeira
viagem.
46)
O irmão Homero fazia cursinho em Curitiba e para lá foi
mandado Milton Neves, em 71, aos 19 anos de idade. Partiu dia 21/02/71.
47)
O período de férias até que deu para agüentar. Em março,
entretanto, a rapaziada de Muzambinho voltava para a escola e faculdade
respectivamente. Na cidade, só ficavam os "sem rumo". Por influência
familiar, a então namorada Lenice o deixou "pela falta de perspectivas no
futuro".
48)
Duro, sem emprego, com um diploma de técnico em Contabilidade
que não queria utilizar, Milton foi enfrentando a desconfiança e lendo o
Estadão no bar do amigo Euclides Carli, um juiz de futebol tão
"ladrão" para o time da casa que até seleção brasileira perdia em
Muzambinho.
49)
Ele confessa que foi chorando. Com quase 20 anos nunca tinha
ido além de 150 quilômetros de Muzambinho. De carona do DKW de Jorge Pimenta,
gerente do Banco de Crédito Real, lá foi ele para sua grande aventura.
50)
Se a passagem por São Paulo já foi um susto, a BR 116 então
nunca mais saiu de sua memória. Caminhões daquele tamanho Milton só havia visto
em filme americano.
51)
Em Curitiba, instalado clandestinamente na Casa do Estudante
Universitário-CEU, ele conheceu o frio. Matriculado no curso Bardal,
preparatório para universidade, Milton Neves foi à luta procurando um lugar em
qualquer emissora de rádio da capital do Paraná.
52)
Bateu em muitas portas. Na Universo, Pirajá Ferreira prometeu
e não deu emprego. Na Cultura, Dirceu Graeser alegou que não tinha vaga mas que
o garoto tinha futuro. Acertou. Foi na rádio Colombo seu primeiro emprego de
radialista. O primeiro registro na carteira de trabalho.
53)
Um dia, em maio de 1972, viu em outro lugar uma Folha de
S.Paulo, onde um anúncio com fundo preto lhe chamou a atenção: "
Vestibular de Jornalismo na Supero - Sociedade Universitária Paulista de Ensino
Renovado Faculdades Objetivo.
54)
Cheio de coragem e morrendo de vergonha pelos insucessos nos
concursos da Petrobrás de Paulínia e Banco do Brasil de Guaxupé, Milton Neves
decidiu encarar a loucura de São Paulo. Afinal, para trabalhar em rádio nada
melhor do que fazer o curso de Jornalismo. A tia Antônia mais uma vez arranjou
o dinheiro para a nova empreitada.
55)
"No Paraná fui
reprovado no vestibular de Odontologia. Também não passei no concurso do Banco
do Brasil e da Petrobrás. Era um fracasso. Graças a Deus fracassei." Diz
Milton Neves.
56)
O amigo Roberto Gaspar conseguiu para ele uma vaga na Kitnet
que morava na esquina das avenidas Duque de Caxias e São João. Com Milton eram
oito que se apertavam em quatro beliches instaladas na saleta.
57)
Apesar de tudo, São Paulo não era tão ruim quanto ele
pensava. Podia ler os jornais mais cedo para acompanhar a disputa do título
mundial de xadrez entre o norte-americano Bob Fischer e o russo Bóris Spassky,
que na época concentrou as atenções internacionais. Tinha ambulante na rua
vendendo maçãs vermelhas, tinha Gazeta Esportiva em todas as bancas.
58)
Milton Neves enfim passou no vestibular. Ficou com uma das
200 vagas da primeira turma daquela faculdade. Ali conheceu os jornalistas que
fariam carreira como ele: Paulo Saab, Ricardo Carvalho e Alberto Luchetti.
Enturmado em São Paulo, mudou para a república " Muzamba", na esquina das alamedas Jaú e Pamplona, nos Jardins, habitada por dez rapazes da cidade Natal . Fez muitas amizades e quando viajava a Muzambinho, uma vez por mês, para levar a roupa suja, já falava sobre São Paulo com alegria nos olhos.
Enturmado em São Paulo, mudou para a república " Muzamba", na esquina das alamedas Jaú e Pamplona, nos Jardins, habitada por dez rapazes da cidade Natal . Fez muitas amizades e quando viajava a Muzambinho, uma vez por mês, para levar a roupa suja, já falava sobre São Paulo com alegria nos olhos.
59)
Estava dando tudo certo demais para quem já se acostumara às
adversidades. De repente, uma constatação: não havia mais dinheiro para bancar
a faculdade e a estada em São Paulo. Sem emprego, Milton encontrou a ajuda que
precisava com o companheiro Ricardo Carvalho, irmão do ex-deputado Agnaldo de
Carvalho, líder do Governo Laudo Natel e hoje dono da Produtora Segmento,
especializada em candidatos políticos. Ricardo juntou uma turma de dez
estudantes para pedir a João Carlos Di Gênio (dono da faculdade) uma bolsa para
o colega de Muzambinho pois ele tinha futuro mas não tinha dinheiro.
60)
Apesar da fase ruim da rádio, o trabalho de Milton Neves
começou a ser reconhecido no Paraná. Bira, lateral-direito do Ferroviário, foi
o primeiro jogador a elogiar. Num programa esportivo disse que ele era o melhor
cronista de futebol do Estado.
61)
Mas Curitiba, definitivamente não havia atraído Milton Neves.
Hoje, relembra que nunca mais voltou à capital do Paraná a não ser numa escala
de vôo que o levou à lua-de-mel, dia 08/07/78, em Foz do Iguaçú, Hotel
Salvatti.
62)
Se tem uma coisa da qual Milton Neves mais se orgulha, é do
grande número de amizades que conseguiu fazer nestes 33 anos de carreira
jornalística.
63)
Durante 15 dias os plantões na porta da sala do diretor não
deram resultado. Fazendo marcação cerrada, o grupo um dia viu o carro dele, um
Mercedes Benz, placa DI 8000, estacionar. Era a hora. Plantaram-se na porta do
elevador e tudo o que conseguiram de um Di Gênio mal humorado e já recusando
bolsa de estudos, foi a indicação de que a rádio Jovem Pan estava procurando
estudantes de jornalismo para estágio remunerado.
64)
Além de jogadores, técnicos, preparadores físicos e locutores
esportivos, ele também tem outras amizades fora do futebol. Uma delas faz
sucesso na televisão. Trata-se do escritor Benedito Ruy Barbosa, que entre
outras obras possui em seu currículo telenovelas de grande audiência como
"Pantanal" e "Renascer".
65)
Para quem sonhava em trabalhar na Bandeirantes ou no mínimo
na rádio Tupi, Jovem Pan era um nome completamente desconhecido. Até conseguir
descobrir onde ficava a tal emissora, no bairro do Aeroporto, Milton Neves
levou três horas.
66)
Com a cara e coragem foi procurar Fernando Vieira de Melo. Na
redação da rádio foi recebido por Salvador Silva, que sem tirar os olhos da
máquina disse que o homem que ele estava procurando era "aquele
louco" que gritava. Recomendou ao rapaz esperar a vez, já que dentro da
sala, Fernando Vieira de Melo quebrava o maior pau com o repórter Reali Jr.
(hoje correspondente da Pan em Paris).
67)
"Depois de
muito tempo o Fernando Vieira me atendeu. Pediu um teste, ouviu a minha voz, me
chamou de burro e mandou me contratar."
68)
Assustado com a briga, Milton sentou-se e com espanto viu
entrar na redação seu companheiro de faculdade, Ubirajara Valdez, que havia
chegado antes e ganhara uma das vagas do estágio.
69)
Acalmada a discussão com Realli, Vieira de Melo ficou sozinho
na sala. Impaciente, Milton tentou entrar. Voltou imediatamente ao tomar a
maior bronca do diretor, que o repreendeu por ousar se apresentar sem ter sido
chamado.
70)
O explosivo Fernando Vieira de Melo, porém, também sabia ser
educado quando queria. E após autorizar a entrada de Milton na sala, gostou da
sua voz, da coragem e pediu um teste, feito por Marco Antônio Gomes. Milton foi
bem na leitura, apesar de chamar o bairro do Pari de Pári. Fernando o chamou de
burro três vezes e mandou Gomes contratá-lo. Melo, foi muito importante para a
carreira de Milton Neves.
71)
Ele sempre disse: "esse menino é um gênio". De João
Carlos Di Gênio também guarda gratidão: Milton Neves teve bolsa total até a
formatura! Também tem outro agradecimento a Di Gênio: seus 3 filhos sempre
estudaram no Objetivo desde que nasceram.
72)
O doutor Sócrates, astro do Corinthians e da seleção, já não agüentava
mais conceder sempre as mesmas entrevistas. Aliás, quase que não aguentava mais
o próprio futebol. Sua cultura contrastava com os lugares comum utilizandos
pela maioria dos jogadores de futebol. Médico, estudioso, de boa formação,
Sócrates chegava a fugir das entrevistas.
73)
Milton Neves pegou o jogador Sócraes na concentração do
Corinthians antes da decisão do campeonato paulista de 82 contra o São Paulo,
vencida pelo timão, e perguntou: "Doutor
Sócrates, hoje tem decisão no Morumbi e no vestibular. Qual a mais
importante? Aturdido com a pergunta que não esperava, Sócrates, que
havia pedido a Milton para ser breve, concedeu a sua mais longa entrevista no
rádio esportivo brasileiro. Falou por uma hora e 13 minutos garantindo que a
escola era mil vezes mais importante do que o futebol. Sócrates contou sua
vida, as etapas de sua formação escolar elogiou o nível das perguntas e depois
matou o S. Paulo de W. Péres.
74)
Já em julho de 1972, no Detran, Milton Neves conheceu muita
gente famosa. Jogadores de futebol como Toninho Guerreiro, César Maluco e
Leivinha freqüentavam a sala de Imprensa para pedir orientação aos amigos
jornalistas, sobre lacração de seus carrões. Roberto Carlos, conduzido por
Franz Neto, "o abelhudo Cofap Bandeirantes" fazia seus exames médicos
na sala dos diretores Nerval Ferreira Braga Filho e Walter Suppo de Morais
Machado para renovação da C.N.H., então de 4 em 4 anos.
Além deles, cronistas esportivos também apareciam por lá. E Milton foi fazendo amizade com Orlando Duarte, Osmar Santos, J. Háwilla. Tremia cada vez que ficava a frente com um figurão. Pôde, enfim, conhecer pessoalmente seu ídolo, Fiori Gigliotti.
75)
Numa dessas visitas, ao comprar um Corcel vinho, Osmar
Santos, chefe de esportes da Pan, reconheceu a voz do repórter de trânsito e o
convidou para fazer o Plantão Esportivo, atividade pioneira no rádio, criada
por Narciso Vernizzi.
76)
Até então o Plantão funcionava em rodízio. Aos sábados
revezavam-se Milton Parron, Aluani Neto e Fausto Silva. Faustão foi o primeiro
a dar o grito de independência: não faria mais plantão "porque não cabia
na cadeira"
77)
Milton estreou. Tremendo, assumiu o microfone e passou
algumas horas no comando. "Você é bom", disse Fernando Vieira de
Melo.
78)
João Zanforlin, então Plantão da Rádio Bandeirantes,
elogiou o trabalho. Milton foi aperfeiçoando. Não utilizava mais texto, falava
de improviso, contava histórias, fazia entrevistas.
79)
Em 74 já era o titular absoluto do Plantão Esportivo da Pan,
com a aposentadoria de Narciso Vernizzi. Mas ainda cuidava do noticiário do
trânsito de manhã. Sofria com os plantões noturnos após o futebol,
principalmente quando o São Paulo ganhava, e Estevan Sangirardi esticava o Show
de Rádio até as duas da madrugada.
80)
"Quando o São
Paulo ganhava, o Show de Rádio não acabava mais. Eu tinha raiva do São Paulo.
Torcia para ele perder e ferrar o Sangirard."
81)
A “Deixa” de Estevam Bourroul
Sangirardi era passa a pelota para Plantão Esportivo Permanente, porque Milton
Neves tem a notícia que o senhor deseja ouvir. Deixa cair MUZAMBA".
82)
José Nêumane, consagrado jornalista do jornal "O Estado
de S.Paulo", foi um dos primeiros a perceber que a autoridade de Milton
Neves e seu sotaque caipira iriam agradar aos ouvintes. Hoje, muito locutor
deixou de "representar" e assumiu suas origens do Interior.
83)
Até 78 o Plantão sofria discriminação nas emissoras de rádio.
Para se ter uma idéia, no Jornal de Esportes, programa criado em 75, Milton
Neves só foi autorizado a entrar quando faltava alguém, e assim mesmo apenas
para ler o placar. Era proibido de fazer perguntas.
84)
Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, diretor da rádio,
e pai profissional de Milton Neves, gostou muito do estilo de Milton. Induziu
Fernando Vieira de Melo a pedir opiniões dos colegas. A de Narciso James foi
definitiva: "José Nello Marques é muito bom, mas Milton Neves é
melhor".
85)
Por tudo isso é que em 82, quando a Pan sofreu um "abalo
sísmico" com a saída inesperada do Show de Rádio, que no meio da Copa da
Espanha transferiu-se para a Bandeirantes, Milton Neves era a solução natural
para todo mundo na rádio, menos para ele mesmo.
86)
0 3° Tempo foi entrando na intimidade dos jogadores e dos
ouvintes. Num jogo do Corinthians, o escuta da Pan Luiz Carlos Abib conseguiu,
em Campinas, por telefone, o choro do bebê Adnã, primeiro filho do jogador Zenon.
No ar, Milton Neves deu a notícia do nascimento e pôs a voz do bebê. Debaixo do
chuveiro, Zenon misturou com a água uma cachoeira de lágrimas.
87)
José Italiano, o "Garganta de Aço", já falecido,
profetizou que o 3° Tempo seria o maior sucesso do rádio esportivo brasileiro e
Milton Neves a primeira grande estrela como âncora esportivo. Mauro Pinheiro,
também dizia o mesmo.
88)
"Pra mim, o
estádio do Comercial era um monstro. A impressão era que tinha um milhão de
pessoas dentro e outro milhão do lado de fora."
89)
Milton Neves: “Não é muito fácil conseguir um espaço na agenda do
empresário Edson Arantes do Nascimento para gravar um comercial se o cachê não
estiver à altura do prestígio de Pelé”
90)
Quando uma vez gravava um comercial com o Pelé: No meio da multidão
um garoto com uniforme da Telesp, gritou: "Ô Milton Neves: quem é esse
negão aí do seu lado ?". Portanto perdi do Pelé só por 9.999 a 1.
91)
Milton Nevez certa vez recordando a sua infância : "O banheiro da casa da minha tia era o estúdio. Ali
narrava jogos e gritava gols, imitando o meu ídolo Fiori Gigliotti."
92)
Milton Nevez recorda: "Graças a Deus, recebo cartas demais e respondo todas.
Pago selo, envelope e funcionário. Já mandei mais de 400 mil cartas-resposta
(40% com adesivos) em 25 anos de carreira na Pan."
94)
Filhos: Fábio Neves, Tiago Neves, Cristiana Neves, Carlos Neves, Milton Neves Neto, Lucas Neves, Paula Neves.
95)
Muzambinho originou-se das palavras africanas "Mocambo" ou
"Moçambo" e do seu diminutivo "Mocambinho", que serviam
para designar um tipo de habitação onde se ocultavam os negros escravos
foragidos. Que tiveram grande influência na formação do povoado.
96)
Em 2015 Milton Neves, aparece no filme “Paysandú -100 anos de payxão”
97)
Vinhos famosos e caros para celebrar conquistas financeiras.
Imagens nas redes sociais de seus imóveis e menção a famosos. Milton Neves é do
tipo que admite: é bom ser celebridade.
98)
Uma briga na TV o incomoda. "Sabe do que eu me
arrependo? Roberto Francisco Avallone. Ele estava doente e admitiu isso depois,
falou que estava sem lítio no sangue ou coisa parecida. Por futricas de um
companheiro dele, que se incomodava porque eu ganhava muito dinheiro com
publicidade, passou a falar mal de mim. Ele é um tremendo bom caráter. O
processei e lamento muito isso e por ter conhecido uma maldição que é ir até um
fórum."
99)
"Perto dele eu sou segunda divisão. O maior narrador da
história da televisão brasileira foi Luciano do Valle. Já o mais eclético, mais
técnico e o mais importante, porque está na Globo há muito tempo, é o Galvão
Bueno. Nota dez pra ele."
100)
Sobre Renata Fan - "Cuidei dela
feito um nenenzinho. Profissionalmente, eu fiz por ela mais do que pelos meus
filhos. Que ela seja muito feliz. Ajudei muito essa moça. Se ela é grata ou
não, é só perguntar pra ela. Mas aprendeu bem."






































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